Muito se debate sobre o que é ético ou não na arquitetura nacional. Principalmente sobre o uso do direito intelectual, reservas técnicas, conselhos nacionais que defendam esta ou aquela classe. Mas, em contra partida muitos escritórios continuam exercendo a privação de direitos a outros profissionais que também primam pelo andamento dos mesmos. Inúmeras campanhas foram feitas para a legalização do uso de softwares de uso exclusivo na Arquitetura e Engenharia. Porem, a cada dia mais e mais profissionais aderem ao famoso Piratão a R$ 10,00. Numa corrida desenfreada pela apresentação gráfica que atenda aos anseios dos Clientes, colocando o trabalho em uma berlinda, o investimento em tais programas não se enquadra na realidade nacional. Visto que, o retorno de tal investimento viria do justo preço de mercado para o trabalho desempenhado. Que não é exercido em grande parte pelos profissionais, mesmo com campanhas dos Conselhos Nacionais.
Vamos analisar o quadro nacional e seu desenvolvimento em uma linha temporal, a princípio todos trabalhávamos em Pranchetas, desenvolvíamos nossos trabalhos, passávamos para profissionais treinados e com conhecimento do que estavam fazendo (Projetistas) para detalharem, com isso havia uma interação entre idealizador e executor. Hoje porem, este contato por mais intercambial que seja é feito de forma fria, no máximo por trocas de informação via Messenger®Windows® e como a comunicação pode muitas vezes ser entendida de forma truncada lá se vão dias de trabalho.
Os clientes por sua vez, adotam a postura do bom e barato. Eles querem o melhor, querem ver seus projetos feitos em 3DStudio Max® e Auto CAD®, mas se tivessem que que pagar o justo preço para manutenção dos mesmo em escritórios de Arquitetura e Engenharia, iriam para o Seu Zé das Couves. “- ele faz baratinho. É só um croqui que quero. Pois, Seu Manoel do Arrebite é que vai construir para mim.”. E com isso continuamos a ver em nossas cidades o desleixo no processo construtivo. Casas sem acabamento, sem o menor conforto e nenhuma estética.
Continuando nosso embasamento Ético e Profissional, temos a pratica das reservas técnicas, um assunto cheio de burburinho no mundo da construção, gerador de situações constrangedoras entre o profissional e seu cliente. Como ele saberá se você não esta indicando aquele produto por ser mais caro? E não, porque é o que atenderá a sua necessidade?Quando cobramos o Justo Valor pelo trabalho, incluso, vistas à obra, horas técnicas gastas fora do escritório. Nosso orçamento é facilmente batido, por aquele que nem se preocupa com isso com a alegação de que tiro isso na RT. Claro, que neste ponto passamos até mesmo a acreditar que nosso Oficio é visto como uma brincadeira ou como já ouvi. “É uma profissão de quem não gosta de trabalhar”.
Chegamos no ponto crucial. A adequação dos escritórios de Arquitetura a um patamar ético, passa por: Ter produtos licenciados, ter em seu quadro profissionais gabaritados, desvincular a receita do escritório de praticas como as de reserva técnica e comissão, que supostamente são oferecidas de “bom grado” pelas lojas, reestruturação profissionais para que a menos valia perniciosa não ferisse os códigos de ética. Teríamos poucos arquitetos trabalhando solo, ou então, um numero maior de formados enchendo os quadros de Construtoras, exercendo muitas vezes funções não atribuidas a suas formações.
Agora em nenhuma Cidade da qual passei, Vi os escritórios unirem-se para uma aquisição em massa de Software, visto que a aquisição de uma licença seria caro porem a de 100 ou até 1000, teria um custo bem menor. Também nunca vi lojas serem boicotadas pelo oferecimento de RT´s, nem fiscais serem denunciados por cobrarem “aquele favorzinho” de liberar uma obra que esta irregular pelo PDU, e que, com vista grossa ele pode deixar passar.
Isso tudo só demonstra que muitas vezes nos corrompemos e até somos corruptores, esquecendo que para cobrarmos Ética, temos que dar o exemplo.
Será mesmo, que vale a pena a um escritório renomado, vender-se e pousar de digno perante outros? A realidade nacional ainda é verdadeiramente de Pranchetas, Papel vegetal e Tinta nankin? Abandonamos a Velha Escola por uma pseudo-evolução cedo demais? Estas são perguntas que não se calam.