Vamos analisar a realidade nacional e ver como nos portamos no passar do tempo, a princípio todos trabalhávamos em Pranchetas, desenvolvíamos nossos trabalhos, passávamos para profissionais treinados e com conhecimento do que estavam fazendo (Projetistas) para detalharem, com isso havia uma interação entre idealizador e executor. Hoje porem, este contato por mais intercambial que seja é feito de forma fria, no máximo por trocas de informação via Messenger®Windows® e como a comunicação pode muitas vezes ser entendida de forma truncada lá se vai dias de trabalho.
Os clientes também por sua vez adotam a teoria nacional do bom e barato. Eles querem o melhor, querem ver seus projetos feitos em 3DStudio Max® e Auto CAD®, mas se tivessem que que pagar o justo preço para manutenção dos mesmo em escritórios de Arquitetura e Engenharia, iriam para o Seu Zé das Couves. “- ele faz baratinho. É só um croqui que quero. Pois, Seu Manoel do Arrebite é que vai construir para mim.”. E com isso continuamos a ver nossas cidades parecendo favelas. Casas sem acabamento, sem o menor conforto e nenhuma estética.
Por outro lado, vem a problemática das reservas técnicas, o assunto mais cheio de burburinho no mundo arquitetônico e que gera uma situação muitas vezes constrangedora entre o profissional e seu cliente. Como ele saberá se você não esta indicando aquele produto por ser mais caro e não porque é o que melhor atenderá a sua necessidade. Mais uma vez nos vemos como joguetes de uma situação. Pois quando cobramos o Preço justo pelo projeto o que incluiria vistas à obra e horas técnicas gastas fora do escritório nosso orçamento é facilmente batido por aquele que nem se preocupa com isso com a alegação de que tiro isso na RT. E muito mais. Claro, que neste ponto passamos até mesmo a acreditar que nosso Oficio é visto como uma brincadeira ou como já ouvi. “É uma profissão de quem não gosta de trabalhar”.
Chegamos no ponto crucial, se todo escritório tiver que pagar pelos softwares, não aceitarmos mais as RT´s que nos são oferecidas de “bom grado” pelas lojas ou mesmo profissionais que não vendessem seu conhecimento a troco de banana. Teríamos bem poucos arquitetos trabalhando solo ou então teríamos um numero bem maior de formados enchendo os quadros de Construtoras. Onde, não exercem sua criatividade a pleno vapor. Agora em nenhuma Cidade da qual passei, Vi os escritórios unirem-se para uma aquisição em massa de Software, visto que a aquisição de uma licença seria caro porem a de 100 ou até 1000, teria um custo bem menor. Também nunca vi lojas serem boicotadas pelo oferecimento de RT´s, nem fiscais serem denunciados por cobrarem “aquele favorzinho” de liberar uma obra que esta irregular pelo PDU. Mas, que com vista grossa ele pode deixar passar.
Isso tudo só demonstra que muitas vezes nos corrompemos e até somos corruptores, esquecendo que para cobrarmos Ética, temos que dar o exemplo. E será mesmo, que vale a pena um escritório de Top de linha que se vende e pousa de digno perante outros? Ou será que a realidade nacional ainda é verdadeiramente de Pranchetas, Papel vegeta e Tinta nankin? Ou ainda que não abandonamos a Velha Escola por uma pseudo-evolução cedo demais? Estas são perguntas que não se calam.





